Pouco a pouco, porém, descobrimos que não voltaremos a escutar o riso claro daquele, que nos está vedado para sempre tal jardim. É então que principia o nosso verdadeiro luto, um luto que não é dilacerante, mas antes um pouco amargo. Porque nada, jamais, substituirá o companheiro perdido. Velhos camaradas não se criam. Não há nada que valha o tesouro de tanta recordação comum, de tantas horas más vividas juntamente, de tantas zangas e reconciliações, de tantos movimentos de coração. Estas amizades não se refazem. Ao plantar-se um carvalho, é vão ter a esperança de se poder gozar brevemente da sua sombra.
(Saint-Exupéry, in Terra dos Homens)