Alguns passam e neste passa temos o eco da indiferença, do passar ao lado dos problemas, procurando que estes não nos toquem. Não os ouvimos, não os reconhecemos, surdez:
É a tentação de ver como coisa natural a dor, a tentação de habituar-se à injustiça.
(…) É tão natural que não me chama a atenção um grito de alguém.
Dizemos aqui para nós: é normal, sempre foi assim.
É o eco que aparece num coração blindado, fechado, que perdeu a capacidade de admiração e, portanto, a possibilidade de mudança.
Trata-se de um coração que se habituou a passar sem se deixar tocar; uma existência que, andando por aqui e por ali, não consegue radicar-se na vida do seu povo.
Poderíamos chamá-la a espiritualidade do zapping.
Passa e volta a passar, mas não fica nada. São aqueles que correm atrás da última novidade, do último «bestseller», mas não conseguem entrar em contacto, relacionar-se, envolver-se.

(Papa Francisco)