Frases e pensamentos sobre sofrimento

Sentíamo-nos estafados. Tínhamos que erguer muito os joelhos para desenterrar os pés. Iria chegar tarde ao doente. Mais uma vez me atormentava não o ter continuamente debaixo de vigilância. Cada doente em perigo era uma razão de angústia: desejaria colocar-me no seu lugar, chamar a mim o seu sofrimento, para reagir com alma contra a doença; desejaria vê-lo ao meu lado, dia e noite. O doente do hospital era um caso clínico, uma cama numerada; cá fora, no meio familiar, era uma coisa humana, que nos dizia intimamente respeito, que dependia de nós e nós dele.

(Fernando Namora, in Retalhos da Vida de Um Médico)

Tudo o que vivemos, mesmo que pareça o pior dos pesadelos, contribui para a nossa experiência de vida. E mesmo os momentos que nos parecem muito maus têm episódios muito bons, que nos servem de lição, nos dão energia e nos fortalecem. O sofrimento (…) transforma-nos em pessoas muito fortes, capazes de rir com o choro, de acalmar com o susto e de sorrir com a tristeza. Um dia que hoje é cinzento amanhã é um claro azul e, no dia seguinte, é Sol radiante. Existe sempre uma solução para o que nos parece ser o pior dos problemas, embora, por vezes, seja difícil de encontrar.

 

(Maria Vítor Campos, in O Cancro é uma Nova Oportunidade de Vida)

Todas as vidas têm dificuldades, diferentes mas iguais. A maior ou menor felicidade não resulta desses obstáculos, mas da forma como reagimos, de como os encaramos e do que fazemos para lidar com eles no sentido de os ultrapassar.

(Maria Vítor Campos, in O Cancro é uma Nova Oportunidade de Vida)

Certa vez li a frase «Fico toda a noite acordado com dor de dentes, a pensar na dor de dentes e em estar acordado». É precisamente assim. Parte de toda a infelicidade é, por assim dizer, a sombra ou o reflexo dessa infelicidade. O facto de que não nos limitamos a sofrer, antes temos de pensar continuamente no facto de que sofremos. Não só vivo na dor cada um destes intermináveis dias, como passo cada dia a pensar que vivo na dor de cada dia.
(C. S. Lewis, in A Dor)