A única revolução definitiva

A única revolução definitiva é a de despojar-se cada um das propriedades que o limitam e acabarão por o destruir: propriedade de coisas, propriedade de gente, propriedade de si próprio.

(Agostinho da Silva, Pensamento à Solta)

Escolher os dois lados ao mesmo tempo é que não é possível

É como o tolo no meio da ponte. Vai para um lado, vai para o outro, e não se decide. Para decidir é preciso motivações claras e a capacidade de deixar algo, isto é, liberdade interior para romper com alguma coisa em favor de outra. Escolher os dois lados ao mesmo tempo é que não é possível. Só escolhe quem sabe perder.

(Vasco P. Magalhães)

Quando os sentimentos são perigosos

A razão não pode desencadear nem bloquear os sentimentos. Mas pode discipliná-los.
Os sentimentos, quando são um perigo, podem ser aprisionados. Como um puma.
Lá dentro, passeia-se o pobre sentimento, de trás para a frente, ruge, arreganha os dentes, encarniça-se contra as grades… mas, por fim, também quebra, perde o pêlo e os dentes, envelhece, faz-se triste e dócil.
É obra da razão. É possível adoçar e domesticar os sentimentos.

(Sándor Márai, in A mulher Certa)

Liberdade e espontaneidade

É muito oportuno explicar que um animal pode viver bem deixando-se arrastar pelos seus instintos — mas o homem não. O homem é um ser especial porque é um ser livre. Precisa de ser educado para viver de acordo com aquilo que é. Nem tudo o que ele pode fazer — roubar, mentir, drogar-se — ele deve fazê-lo. Não porque não seja livre, mas porque não lhe convém. Não se pode confundir — e muitas vezes confunde-se — a liberdade com a espontaneidade. O homem, para agir bem, deve pensar antes de actuar — coisa que os animais não fazem.
Por isso, a educação moral não tira nem diminui a liberdade do homem — muito pelo contrário! Dá-lhe luz para que — se ele quiser — possa viver de acordo com aquilo que é. É verdade que o saber moral é difícil e delicado. Mas também é verdade que vale a pena esforçar-se por obtê-lo. Porquê? Porque é o saber mais valioso para o homem. É o saber que o ensina a usar bem a sua liberdade.

(Rodrigo Lynce de Faria)

Ser escravo de si próprio

O homem que reconhece lealmente que se enganou, ou mais simplesmente que não sabe tudo, prestigia-se de modo singular. E por acréscimo, conquista, conquistando-se assim a si próprio, uma magnífica independência. Só nisso está a verdadeira liberdade: Ser escravo dum homem é duro, mas ser escravo de si próprio é pior ainda.
(De La Porte du Theil)

Sacrificamos as outras possibilidades

Não devemos ter pena do que “perdemos” quando escolhemos, pois isso faz parte da natureza da liberdade. Cada vez que escolhemos algo, sacrificamos as outras possibilidades. No fundo, sermos livres quer dizer que temos alguma autonomia para escolhermos de que forma vamos renunciar a passar a vida fazendo tudo aquilo que nos apeteça.
(Paulo Geraldo)