Nós, que vivemos na prisão

Mas nós, que vivemos na prisão, e em cujas vidas não há acontecimentos mas solidão, temos que medir o tempo pelas pulsações da dor, e pela memória dos momentos amargos. Não temos mais nada em que pensar. O sofrimento – por muito curioso que isso possa parecer-te – é o meio através do qual existimos, porque é o único meio a através do qual nos tornamos conscientes da existência; e a recordação do que sofremos no passado é-nos necessária como uma garantia, a evidência da nossa continuada identidade.
(Oscar Wilde, in De Profundis)