Quando procuro nas minhas recordações aquelas que me deixaram um gosto duradouro, quando faço o balanço das horas que contaram, descubro aquelas que fortuna alguma me teria conseguido. Não se compra a amizade de um Mermoz, de um companheiro a que as provações vividas em comum nos ligaram para sempre. Esta noite de voo e as suas cem mil estrelas, esta serenidade, esta soberania de poucas horas, não as compra o dinheiro.
E não compra também aquele aspecto novo do mundo depois das etapas difíceis, as árvores, as flores, as mulheres, aqueles sorrisos coloridos da frescura da vida que acaba de nos ser devolvida ao romper da manhã, todo o concerto de pequenas coisas que nos recompensam.
(Saint-Exupéry, Terra dos Homens)