Não nos damos conta de que primeiro nos apercebemos do outro e só depois – por contraposição ao outro – do que não é o outro. Isso que fica é o que chamamos “eu”. Ou seja, na consciência da identidade pessoal, está antes o outro do que o eu. Pelo menos cronologicamente. Que significa isso? Que a pessoa foi feita para a doação. A nossa vida é a de um “ser-para-outro”. Por isso ninguém pode ser feliz se se considera a si próprio como um “ser-em-si” ou um “ser-para-si”.
(Aquilino Polaino-Lorente)