Amor
O amor é inseparável da morte. Sabes que amas porque te esqueceste de que existes; porque morreste para ti mesma, para viveres naqueles que amas. Se eles estiverem bem, então tu estás bem, ainda que estejas mal.
Amar é dares-te. É não pensares em ti. É não quereres saber dos teus gostos, do teu bem-estar, do teu descanso, dos teus projectos, do teu futuro, por andares muito ocupada em construir aqueles que te rodeiam. É veres nessa morte para ti mesma o sentido e a plenitude da tua existência. Quanto mais deres de ti, quanto mais te doer o teu amor, mais alegria terás. E mais paz. Porque amas mais.
(Paulo Geraldo)
Medo de que o casamento não corra bem?… O amor e o medo não podem andar juntos. Quem tem medo não entende nada de amor. Amar é, precisamente, não ter medo. É acreditar que se possui uma força imensa. Quem ama sabe que é também possuído e protegido pelo amor. E que, por isso, caminha noutra altura; voa por cima dos gelos, dos salpicos das ondas, das pedras aguçadas. Vai por cima de um mundo muito pequeno, nas asas de um fogo, em mãos de fadas. Possui outra dimensão. Parece-lhe que quem não ama é um morto-vivo…
(Paulo Geraldo)
Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que pode desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na medida em que os dois estão mais unidos, porque partilham mais. Mas para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é devido.
(J. L. Lorda)
Não somos amados por sermos bons. Somos bons porque somos amados.
(Desmond Tutu)
Se alguém nos mostrasse amor, devíamos reconhecer que não somos dignos dele. Nenhuma pessoa é digna de ser amada. O facto de Deus amar o homem mostra que, na divina ordem das coisas ideais, está escrito que o amor eterno deve ser concedido ao que é eternamente indigno. Ou, se essa frase te parece demasiado dura, digamos que todas as pessoas são dignas do amor, excepto as que pensam que o são. O amor é um sacramento que devia ser tomado de joelhos, e nos lábios e nos corações daqueles que o recebem devia estar «Domine, non sum dignus» [Senhor, não sou digno].
(Oscar Wilde, in De Profundis)
As coisas grandes são aquelas que o amor nos leva a fazer, e muitas vezes realizam-se por meio de pequenos gestos. Fazem-se pisando os nossos apetites e gostos, abandonando o cómodo estojo no qual temos tendência a encerrar a nossa existência.
(Paulo Geraldo)
O ahimsa (amor) não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal.
(Mahatma Gandhi)
Os objectos materiais são atraídos para baixo pelo seu peso e para cima pela sua leveza. O peso coloca a cada um no lugar que lhe corresponde pela natureza. Assim também o homem é levado para cima ou para baixo, dependendo da natureza de seu amor.
(Santo Agostinho)
Estou completamente falido, e sem casa. Contudo, há muitas coisas piores do que isso. Sou totalmente honesto quando te digo que, a sair desta prisão com amargura no coração contra ti ou contra o mundo, prefiro, alegre e prontamente, andar de porta em porta a pedir esmola. Se não conseguisse nada nas casas dos ricos, conseguiria alguma coisa nas casas dos pobres. Aqueles que têm muito são frequentemente avarentos. Aqueles que têm pouco partilham sempre o que têm. Não me importaria nada de dormir sobre a erva fresca, no verão, e quando viesse o Inverno, de me abrigar junto do feno quente de um celeiro, ou no luxo de um estábulo, desde que tivesse amor no coração.
(Oscar Wilde, in De Profundis)
O amor é alimentado pela imaginação e, por meio dele, tornamo-nos mais sábios do que nos sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos; por meio dele podemos ver a Vida como um todo; por meio dele e apenas por meio dele, somos capazes de compreender os outros nas suas relações reais e ideais.
(Oscar Wilde, in De Profundis)