É bom estar só, porque a solidão é difícil. Se uma coisa é difícil, razão mais forte para a desejar.
Amar também é bom porque o amor é difícil.
O amor de um ser humano por outro é talvez a experiência mais difícil para cada um de nós, o mais alto testemunho de nós próprios, a obra suprema em face da qual todas as outras são apenas preparações.
É por isso que os seres muito novos, novos em tudo, não sabem amar e precisam de aprender.
Com todas as forças do seu ser, concentradas no coração que bate ansioso e solitário, aprendem a amar.
Toda a aprendizagem é um tempo de clausura.
Assim, para o que ama, durante muito tempo e até ao largo da vida, o amor é apenas solidão, solidão cada vez mais intensa e mais profunda.
O amor não consiste nisto de um ser se entregar, se unir a outro logo que se dá o encontro. (Que seria a união de dois seres ainda imprecisos, inacabados, dependentes?).
O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado.
É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.
Quando o amor surge, os novos apenas deviam ver nele o dever de se trabalharem a si próprios.
A faculdade de nos perdermos noutro ser, de nos darmos a outro ser, todas as formas de união, ainda não são para eles.
Primeiro, é preciso amealhar muito tempo, acumular um tesoiro.

(Rainer Maria Rilke, in Cartas a um Jovem Poeta)

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