Após manhã cinzenta na praia, diz o pai: “Olha, filho, que bom! já saiu o Sol!” Ao que o filho ripostou: “Não, pai, quem saiu não foi o Sol, foram as nuvens!”
Pois é. E acredito que o estado natural do homem que vive de amor é a felicidade, que, como o sol do dia, sempre está lá. Às vezes o que há são nuvens.
E entendo que a noite da tristeza apenas se instala com o egoísmo, porque quem anda na sombra da amarga inveja e da perene insatisfação, não precisa das nuvens da contrariedade para sentir a infelicidade. Uma infelicidade que nada, nem o fulgor artificioso de um prazer passageiro, será capaz de dissipar.

(António Montiel)