A fidelidade, naturalmente, tem que ver com a sexualidade, mas não se limita a ela. Implica a aceitação de ambos em todas as dimensões da sua personalidade. Normalmente, a fidelidade está presente na vida matrimonial quotidiana de uma maneira calada e pouco visível, consistindo numa constância tanto nos bons tempos como nos difíceis. É preciso a ajuda do outro, sobretudo face à monotonia diária que pode consistir nas obrigações familiares e profissionais. Mas também se requer quando se fracassa, se duvida de si mesmo ou por acaso se falhou. “Sê solidário com os teus amigos, sobretudo quando são culpados”, diz um provérbio francês. Quando alguém está prestes a cair no mais fundo da miséria, não é precisamente o parceiro aquele que, em primeiro lugar, deve lutar para ir com ele?
(Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano)